Historia viva…

Aos grandes mestres do passado, do presente, e que sirvam de inspiração para os do futuro, valorizar é eternizar a nossa identidade cultural, a nossa história viva, imortalizada na cultura popular dos bois de máscaras.

Arquivo dos 50 Anos do Boi Tinga em Homenagem aos seus 80 Anos de Existência, Amor e Tradição e aos que Fizeram, e sempre farão parte dessa grandiosa história!!!!

BOI TINGA

O boi tinga é um folguedo popular que lembra uma folia carnavalesca. Diferente do tradicional boi bumbá, o boi de mascaras possui 4 pernas, os brincantes usam mascaras, túnicas e chapéus enfeitados por fitas e flores coloridas, conhecidos como pierrôs. Compõem a dança cerca de 30 ou mais brincantes entre o boi e vaqueiros, que levam presos à cintura pequenos cavalos feitos de paneiro, e as singulares figuras dos cabeçudos, fantasia que veste o brincante até a altura dos joelhos. O acompanhamento é feito por tambores, maracás, cuícas, flauta, banjos, viola, pistão, clarineta e trombone. As coreografias e evoluções acontecem ao som de marchas, sambas, ritmo de frevo e carimbó. O boi tinga é originário de São Caetano de Odivelas.

HISTÓRICO DO BOI TINGA

O “Boi tinga” foi idealizado e fundado no ano de 1937, por um grupo de amigos pescadores que ao sair em uma de suas viagens para pescar já se discutia a ideia de fazer uma brincadeira, foram eles: Tito Ferreira Dalmacio, Laudelino chagas Zeferino (Tio Lode), Bento Zeferino, Murilo Alves das chagas e José Zeferino(Zé Pagão)  Esse grupo de amigos encontrou uma cabeça de boi em uma fazenda próxima as margens do rio “Bebedouro” localizado na “Ilha de Maracá” arquipélago do Marajó, de volta à São Caetano, levaram o esqueleto da cabeça à um artesão odivelense Raimundo Cunha mais conhecido por “Dico Cunha”, onde mandaram confeccionar o boi que era feito de paneiros e varas forradas com sacas e panos, ele também compôs as primeiras musicas desse grupo folclórico da qual a cabeça do boi tinga ainda hoje é a mesma. O nome “tinga” foi escolhido por eles em homenagem ao boi bravo e reprodutor da fazenda onde a cabeça foi encontrada.

Diz-se que o boi tinga surgiu de uma rivalidade entre os dois clubes esportivos Progresso e Marítimo tradicionais clubes da época, e para que fosse quebrada a tradição de outro boi chamado “faceiro” que já havia sido fundado pelo presidente do progresso esporte clube, “Sua Palmira”. Com isso no dia 3 de maio de 1937, os pescadores que já haviam fundado o clube esportivo Marítimo, achavam que o boi tinga traria situações desagradáveis ao rival esportivo, e articularam em fazer uma brincadeira com as mesmas características.

  No dia 23 de junho de 1937… as 20 h, saia às ruas da cidade pela primeira vez o “Boi tinga”, vinha acompanhado de uma orquestra integrada por tambores, maracás, cuícas, banjo, viola, pistão, e trombone, junto vinha também, vários vaqueiros e brincantes vestidos com fantasias coloridas e sua performance contagiava a todos. Trazia na frente da sua brincadeira uma espécie de lampião feito de madeira, forrado com papel de seda em cores onde se lia: “Boi Tinga”, dentro, duas velas acesas para melhor realce quando olhasse de longe, o boi era de cor preta, com uma fita verde e amarela envolvida no pescoço. Conta-se que esta fita teve uma história: na apresentação em frente à casa de dona Romana Brito, esta trouxe uma fita e amarrou-a no pescoço do boi, que permanece até hoje; outros relatam que representava as cores da Sociedade Beneficente Marítimo Esporte Clube Odivelense, clube do coração de seus fundadores. Suas performances foram tornando a brincadeira uma tradições e expressão popular do município.

Dentre as inúmeras apresentações, o boi tinga tem participado de grandes eventos da capital e no interior do estado e até de nível nacional, em Brasília se apresentou na Câmara dos Deputados e no programa “Os sentidos da Amazônia”, em São Paulo, Belém apresenta-se na Fundação Cultural do Estado do Pará, Assembleia Paraense, Estação das Docas, Aeroporto internacional e outros, além de participar de documentários e reportagens sendo hoje um dos mais famosos grupos folclórico do interior do Estado.

Mesmo sem ainda desfrutar de considerável e indispensável estrutura, pela beleza dessa manifestação que contagia a quantos assistem sua exibição, São Caetano de Odivelas entra no cenário como um dos pólos da cultura paraense o que torna a manifestação boi de máscaras conhecida como uma das maiores expressões da cultura popular do Brasil.

 

Não podíamos deixar prestar nossa singela homenagem aquilo que um dia surgiu como uma simples brincadeira entre amigos e tornou-se em uma das maiores manifestações folclóricas do estado do Pará, orgulhosamente com quase um século de Amor e Tradição que ultrapassa gerações encantado com a cultura popular de magia sem igual, basta ser odivelense que entenderá o que digo…

… Ouvir de longe o som dos tambores (curimbó), é sinal que tem boi na rua

… um turbilhão de sentimentos já começa a envolver a criança que é difícil segurar, sem ela correr e gritar… é o boooi!!!

… vê ao longe as bandeiras tremulando, e o som de um trompete rasgando o ar, não tem como explicar tamanha emoção!!!

“ SALVE, SALVE, A CULTURA POPULAR,  A CULTURA DOS BOIS DE MÁSCARAS“

Boi Tinga, desde 1937 encantando por onde passa….

 

Agradecimentos…

A “Aldeiza Garça“ por fazer este arquivo dos 50 anos do tinga, chegar em nossas mãos, talvez muitos tenham tido o privilégio de já tê-lo assistido, mas garanto que não sei quantas vezes me emocionei todas as vezes que assistir e claro, as  Centenárias bandas de músicas Milícia Odivelense e Rodrigues dos Santos, pela brilhante iniciativa de homenagear  os 80 Anos do boi Tinga, com uma Programação Maravilhosa que vai do dia 21 à 23 de junho de 2017, data que se comemora seu Aniversário…